Google atualiza política de reputação de sites com regras distintas para a EEE
Em agosto de 2026, o Google anunciou uma atualização significativa à sua política de reputação de sites, introduzida originalmente em 2024, criando um enforcement diferenciado entre utilizadores dentro e fora do Espaço Económico Europeu. Esta mudança resulta de discussões com a Comissão Europeia no contexto do Digital Markets Act e afeta diretamente a forma como as ações manuais são aplicadas nos resultados de pesquisa. Para agências e responsáveis de marketing, compreender esta divisão geográfica é essencial para gerir a visibilidade orgânica de sites com secções de conteúdo de terceiros.
Pontos-chave
- A política de reputação de sites foi criada em 2024 para combater a prática de publicar conteúdo de terceiros em domínios de elevada autoridade com o único objetivo de beneficiar do seu bom histórico para rankear mais alto nos resultados de pesquisa.
- A partir de 30 de agosto de 2026, as ações manuais aplicadas ao abrigo desta política terão efeitos distintos consoante a localização geográfica do utilizador, sendo mais restritivas fora da EEE e menos impactantes dentro dela.
- Para utilizadores fora da EEE, uma ação manual afeta diretamente os resultados de pesquisa para a secção do site visada, sem prejudicar o restante domínio, o que representa a continuidade do mecanismo já existente.
- Para utilizadores dentro da EEE, o impacto da ação manual não se aplica de forma direta, mas a secção afetada pode ser separada nos sistemas do Google para que, com o tempo, passe a rankear de forma independente do resto do site.
- Os proprietários de sites continuarão a ser notificados através do Search Console quando uma ação manual for aplicada, e os sites elegíveis poderão submeter um pedido de reconsideração e, após esse pedido, aceder a um processo de mediação.
- O ajustamento resulta de negociações com a Comissão Europeia, e o Google declarou manter preocupações sobre uma aplicação excessivamente ampla do Digital Markets Act que pudesse impedir a proteção da integridade dos resultados de pesquisa.
Análise
Esta atualização representa uma das primeiras instâncias em que o Google adapta explicitamente o comportamento dos seus algoritmos de penalização em função de regulamentação europeia, neste caso o Digital Markets Act. A distinção geográfica no enforcement de políticas de qualidade de pesquisa é um precedente relevante, pois demonstra que as obrigações regulatórias podem, na prática, criar experiências de pesquisa diferenciadas para utilizadores em diferentes regiões do mundo. Para as equipas de SEO, isto significa que uma página pode estar simultaneamente penalizada nos resultados globais e visível nos resultados europeus.
O mecanismo de separação progressiva da secção afetada dentro dos sistemas do Google é um elemento técnico novo e com implicações profundas. Mesmo que o impacto imediato seja suspenso para utilizadores da EEE, o Google indica que, ao longo do tempo, a secção afetada passará a rankear de forma autónoma, desligada da autoridade do domínio principal. Isto significa que o benefício que o conteúdo de terceiros retirava da reputação do site-mãe será gradualmente eliminado, mesmo dentro da EEE, ainda que de forma mais suave e progressiva do que fora dela.
A política original visava uma prática bem documentada no SEO, conhecida como parasita ou parasite SEO, em que marcas ou indivíduos publicam conteúdo em subdomínios ou subpastas de sites de grande autoridade, como editoras de media ou plataformas de análise, para contornar a dificuldade de rankear com um domínio novo. O Google reforça que esta prática prejudica a qualidade dos resultados e a experiência dos utilizadores, e que a nova abordagem continua a combatê-la, apenas com modalidades distintas conforme a zona geográfica.
A possibilidade de mediação após pedido de reconsideração é uma novidade relevante para os proprietários de sites que operem dentro da EEE. Este mecanismo, provavelmente introduzido como resposta às exigências do Digital Markets Act em matéria de transparência e vias de recurso, oferece uma camada adicional de proteção aos editores europeus, mas também impõe ao Google obrigações processuais mais exigentes do que as que existiam até agora para resolução de disputas relacionadas com ações manuais.
A comunicação do Google é clara ao afirmar que a bifurcação geográfica não implica uma menor preocupação com a integridade dos resultados de pesquisa. A equipa de qualidade de pesquisa sublinha que o objetivo continua a ser garantir uma experiência de pesquisa melhor e mais fiável para todos os utilizadores. Para as agências que gerem clientes com presença global, esta distinção exige uma monitorização dupla: verificar o impacto de eventuais ações manuais tanto nos resultados europeus como nos resultados para o resto do mundo, usando as ferramentas disponíveis no Search Console.
O que fazer
- Auditar imediatamente os sites geridos para identificar secções com conteúdo produzido ou hospedado por terceiros que possam ser interpretadas pelo Google como exploração da reputação do domínio principal, e avaliar se essas secções estão claramente separadas e devidamente identificadas.
- Configurar alertas no Search Console para detetar rapidamente qualquer notificação de ação manual relacionada com a política de reputação de sites, e definir um processo interno de resposta que inclua a preparação de um pedido de reconsideração fundamentado.
- Segmentar as análises de tráfego orgânico por região geográfica, distinguindo o desempenho dentro da EEE e fora dela, de forma a detetar divergências de visibilidade que possam indicar a aplicação de uma ação manual com efeito geográfico diferenciado.
- Rever contratos e acordos com parceiros editoriais ou de conteúdo que prevejam a publicação de material de terceiros no domínio da agência ou do cliente, garantindo que esses conteúdos apresentam valor editorial genuíno e não se limitam a explorar a autoridade do domínio para fins de ranking.
- Informar os clientes com audiências globais sobre a existência desta bifurcação geográfica no enforcement da política, explicando que uma ação manual pode ter impactos distintos nos resultados europeus e nos resultados internacionais, o que requer uma análise de risco diferenciada por mercado.
- Para sites que recebam uma notificação de ação manual, explorar a via de mediação disponível para utilizadores dentro da EEE após a submissão de um pedido de reconsideração, documentando de forma rigorosa os argumentos editoriais e as melhorias implementadas antes de iniciar esse processo.
Sites afetados por ações manuais ao abrigo desta política verão os seus resultados de pesquisa impactados apenas fora da EEE a partir de 30 de agosto de 2026, enquanto os utilizadores dentro da EEE poderão continuar a ver o conteúdo, embora este passe a ser tratado de forma independente no índice do Google ao longo do tempo. Esta bifurcação geográfica cria uma complexidade nova na gestão da reputação de domínio e na monitorização de visibilidade orgânica para sites com audiência global.